‘The Handmaid’s Tale’ é repleta de fatos reais: saiba o que inspirou essa realidade assustadoraSéries & TV

‘The Handmaid’s Tale’ é repleta de fatos reais: saiba o que inspirou essa realidade assustadora

A série The Handmaid’s Tale é uma das mais assustadoras da atualidade. Baseada no livro homônimo de Margaret Atwood (que por aqui ganhou a tradução de O Conto da Aia), a produção impressiona justamente porque não é algo impossível de se acontecer: em resumo, a trama traz uma distopia onde cristãos extremistas tomam conta dos EUA, e obrigam todos a viverem sob suas leis.

Mas quer saber algo mais assustador? Tudo que acontece na história já aconteceu, ainda que de forma levemente diferente. Na nova edição do livro (publicado primeiramente em 1985), Margaret Atwood deixou claro:

Uma das minhas regras é que eu não colocaria no livro nada que já não houvesse acontecido, no que James Joyce chamou de o ‘pesadelo’ da história, nem nenhuma tecnologia que não estivesse disponível. Nenhum dispositivo imaginário, nenhuma lei imaginária, nenhuma atrocidade imaginária. Dizem que Deus está nos detalhes. O diabo também está.


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‘The Handmaid’s Tale assusta porque é real

Por mais surreais que pareçam os acontecimentos de The Handmaid’s Tale, todos os que assistem percebem que não é tão impossível que coisas aconteçam. Alguns detalhes são breves mudanças da nossa atualidade, distorcidos para que demoremos a identificar. Por exemplo, a perda de identidade ao chamar uma aia pelo nome de seu Comandante: Offred, Ofgled, Ofrichard. A princípio, parece uma violência tremenda. Mas lembre-se: no Ocidente, é completamente comum que mulheres tenham apenas o sobrenome de seus pais, para depois adotarem o sobrenome dos seus maridos.

Em entrevista ao The New York Times, Margaret Atwood conta que demorou a escrever o livro porque a ideia parecia muito absurda. Então, ela reparou que duas coisas aconteceram:

Eu comecei a notar um monte de coisas que eu achei que eram mais ou menos exageradas estavam acontecendo, e mais coisas ainda aconteceram desde que o livro foi publicado.

As vestimentas

Uma das questões que chamam atenção de primeira na série é a questão das roupas das mulheres, que são obrigadas a usar cores de acordo com todas as castas. Não só as Martas (servas domésticas) e aias, mas também as esposas. Uniformizar as pessoas é um costume clássico de regimes totalitários, desde os soldados até as vítimas. Por exemplo, os judeus eram obrigados a usar estrelas para demarcar quem eram.

Nem mesmo a escolha das cores é por acaso: o azul das esposas é associado à pureza e ao manto da Virgem Maria, enquanto as aias usam vermelho, para simbolizar sua fertilidade e o parto. Além disso, as aias têm de cobrir as cabeças para sair na rua, como se fossem hábitos de freiras ou burcas.

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Crianças

Em muitos regimes totalitários, as crianças e bebês eram os alvos. Seja como na Ditadura Militar Brasileira, que os filhos eram sequestrados e torturados para atingir os pais; seja raptadores e dados para famílias que apoiavam o regime os criarem, como fizeram com muitas crianças aborígenes na Austrália dos anos 70.

Além disso, há a infertilidade. Em The Handmaid’s Tale, as chances de uma criança nascer são de 1 em cada 4. Segundo Margaret Atwood, países com altas taxas de poluição, como a China (e como a fictícia Gilead) já enfrentam problemas de fertilidade entre os homens.

Proibição de conteúdo

Não só praticamente toda forma de entretenimento consumido é proibida — televisão, música, livros ou revistas — mas também qualquer forma de leitura era negada às mulheres. Margaret Atwood também relembra que muitos escravos eram proibidos de ler. Na verdade, a censura de regimes totalitarista é bastante comum. Além de proibir novos conteúdos, evita com que as pessoas relembrem tempos anteriores.

Mutilação

Sim, muitos regimes mutilam as pessoas — não são raros os exemplos de torturas. Mas, infelizmente, muitas culturas fazem um tipo extremamente cruel de tortura: mutilação genital feminina. Estima-se que 140 milhões de mulheres e meninas ao redor do mundo sofreram o procedimento.

Assim como sofreu Emily, a personagem de Alexis Bledel, essas meninas têm os lábios vaginais e clitóris arrancados. Sem nenhum tipo de anestesia.

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