[Crítica]: ‘Star Wars: Os Últimos Jedi’ vai muito além da dicotomia entre o bem e o malCinema

[Crítica]: ‘Star Wars: Os Últimos Jedi’ vai muito além da dicotomia entre o bem e o mal

O oitavo episódio da maior saga cinematográfica de todos os tempos é marcado por pontos altos de inovação e por uma sincera vontade de fazer diferente, assumindo riscos que, apesar de nem sempre bem sucedidos, devem ser reconhecidos positivamente. Star Wars: Os Últimos Jedi, dirigido por Rian Johnson, consegue dar um passo à frente no universo criado por George Lucas nos anos 1970, sem deixar de reverenciar o passado de forma respeitosa, o que rende momentos extremamente emocionantes para os fãs.


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‘Star Wars: Os Últimos Jedi’ traz trama e subtramas muito bem trançadas

A trama de Star Wars: Os Últimos Jedi é retomada a partir do ponto em que o episódio anterior nos deixou: Rey (Daisy Ridley) atravessou a galáxia para encontrar um Luke Skywalker (Mark Hamill) exilado e desacreditado da ordem Jedi.

Star Wars: Os Últimos Jedi

Essa, que é a trama principal e mais relevante do roteiro, está muito bem trançada com as subtramas que envolvem a Resistência. A General Organa (Carrie Fisher) segue no comando das tropas rebeldes, que estão cada vez mais frágeis e em menor número. A esperança é um dos conceitos debatidos com muita contemporaneidade nessa parte da trama.

Vivemos um momento em que todas as evidências nos fazem acreditar que o lado negro da Força está ganhando (e podemos personifica-lo como quisermos: Donald Trump, bolsominions ou neo-nazistas), mas no fim, nos damos conta de que a esperança não só deve ser a última a morrer, como é capaz de virar o jogo nos últimos segundos.

As gags e os riscos

Se tem uma coisa de que o diretor Rian Johnson não pode ser acusado é de não ter arriscado inovar nesse novo filme. Muita gente têm reclamado do grande volume de gags (piadinhas) e apontado isso como consequência de uma Disneyrização (sim, um neologismo) da franquia.

Star Wars: Os Últimos Jedi

Para esta colunista, talvez o número de gags não seja bem o problema e sim o fato de que simplesmente algumas não funcionam. Mas não funcionam para quem, cara pálida? Saí da sessão conversando com um amigo e, para ele, isso é um aspecto negativo do filme e é resultado de uma tentativa de conquistar o público infanto-juvenil.

Ora, deixemos de ser egoístas e vamos começar a dividir esse universo maravilhoso de Star Wars com os mais jovens também, galera. Não podemos querer que essa saga seja feita só para nós, adultos, que já conhecemos muito bem o universo e suas características.

No fim das contas o que eu penso é: algumas gags do filme não funcionam para mim, mas certamente ajudam a conquistar toda uma nova geração de fãs. Sendo assim, Johnson assume esse risco pensando em um bem maior. Legítimo e apoiado!

O devido respeito ao passado

Para quem já é fã da saga há muitos anos, certamente os momentos mais emocionantes são aqueles que reverenciam o passado e prestam as devidas homenagens aos personagens e momentos que fizeram dessa história a mais importante de todos os tempos.

Star Wars: Os Últimos Jedi

Ver os irmãos Leia e Luke em cena juntos mais uma vez, ou o sonhador Luke olhando mais uma vez para o horizonte com dois sóis, são momentos de arrepiar e encher os olhos d’água.

A saudosa Carrie Fisher ganha sua última homenagem e seu movimento simbólico de ter o poder de retornar à vida através da eterna princesa Leia.

Muito além da dicotomia entre o bem e o mal

O passo adiante que esse novo episódio dá é repensar a ordem Jedi e a verdadeira natureza da Força. Uma das coisas mais impactantes que Luke diz à Rey é que a ordem Jedi precisa acabar. E essa afirmação parece despedaçar nossos corações diante da tela. Mas a verdade é que Luke não só prova isso por A + B, como isso também se comprova pela relação entre Rey e Kylo Ren (Adam Driver).

Star Wars: Os Últimos Jedi

O movimento que o roteiro de Johnson faz aqui é de provar que a Força é algo, como já dizia Yoda, que conecta todos os seres vivos. Todos. E não é um domínio apenas do Jedi ou dos Sith.

A polaridade entre o lado sombrio e o lado luminoso ganha tons acinzentados pelo meio do caminho que entram em sintonia com o nosso tempo.

Star Wars: Os Últimos Jedi não é perfeito e nem tenta ser. Ele busca novos caminhos e uma nova voz para a saga sem deixar de reverenciar seus grandes ícones. E uma coisa é inegável, o oitavo episódio reposiciona o paradigma da saga e nos deixa de presente a mensagem mais importante de todos os filmes: a esperança.

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