‘Quem sou eu?’: série do Fantástico traz questões sobre transgênero para a TV abertaEditorial

‘Quem sou eu?’: série do Fantástico traz questões sobre transgênero para a TV aberta

O Fantástico estreou ontem (12) uma nova série especial que terá quatro episódios. Quem sou eu? terá reportagens que irão contar a história de transgêneros em diferentes fases da vida, trazendo à tona a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual.


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Desde cedo, somos imbuídos a nos encaixar em determinado papel social. Ou seja, quando nascemos, ou até mesmo antes disso, a família já estabelece um ambiente para moldar nossos comportamentos a um determinado gênero simplesmente pelo órgão genital com o qual viemos ao mundo. Porém, é aí que a questão começa.

Se uma pessoa nasce com um pênis, já se pressupõe que será homem. Se nasce com uma vagina, será mulher. Mas as coisas não são bem assim. Existem dois grandes pontos: a identidade de gênero e a orientação sexual.

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Qual a diferença?

A identidade de gênero refere-se a como você identifica seu comportamento social. É a concordância ou discordância entre sua genitália e sua mente. Ou seja, se você nasceu com uma vagina e se identifica como mulher, sua identidade de gênero é cisgênero. Contudo, se sua mente não se sente confortável com seu corpo porque você não se vê como mulher, e sim como homem, sua identidade é transgênero.

A orientação sexual, por sua vez, é para onde sua atração está direcionada. Se você é cisgênero ou transgênero e se sente atraído pelo sexo ‘oposto’, é considerado heterossexual. Sim, um(a) trans pode ser heterossexual. Mas se você prefere pessoas do mesmo sexo, é considerado homossexual. E se gosta dos dois, bissexual. Simples assim, mas nem tanto.

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Aparentemente, essas questões podem parecer fáceis de resolver. Até seriam, se pudéssemos resumir todas as identidades e orientações a dois ou três tipos.  Se entendermos que o transgênero é apenas o cruzamento de uma linha entre o masculino e o feminino, estaríamos ignorando uma enorme complexidade. O binarismo é o principal limitador das questões de gênero, por tentar aniquilar suas variações. Por exemplo, a Comissão de Direitos Humanos de Nova York já reconhece nada menos que 31 tipos de gênero. Logo, se existem 31 gêneros com os quais as pessoas podem se identificar, imagine a quantidade de possibilidades para orientação sexual? Não se pode ser maniqueísta nessa discussão.

Apesar de toda a (o)pressão que sofremos para nos encaixarmos em um comportamento socialmente aceito, a diversidade ainda existe, como sempre existiu, e resiste. E tem cada vez mais conquistado seu lugar nos direitos civis.

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Ponto para a emissora

Desta vez a emissora acertou. Todos sabemos como uma matéria no horário nobre da TV pode reverberar em pautas sobre as quais as famílias irão discutir e debater. Os(as) trans têm sido marginalizados(as) desde sempre e um dos principais esforços de seus movimentos sociais é aumentar sua visibilidade para que seja possível desconstruir os preconceitos sobre as diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, além de reivindicar a igualdade de direitos.

Quem sou eu? pode não tratar a fundo todo o debate teórico e social que se tem a respeito das questões de gênero, mas é um pontapé inicial para que esse assunto chegue à mesa dos brasileiros.

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