Plongée e contra-plongée: a arte de medir com a câmeraCinema

Plongée e contra-plongée: a arte de medir com a câmera

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Na última e inesquecível cena de Gravidade, mais recente obra do mexicano Alfonso Cuarón, a câmera passeia dos pés à cabeça da doutora Ryan Stone (melhor atuação da carreira de Sandra Bullock, aproveitando o ensejo). Trata-se de uma técnica amplamente difundida no meio cinematográfico denominada contra-plongée. Aqui você entenderá como ela funciona e qual é o efeito pretendido pelos cineastas ao inseri-la em seus filmes.

Plongée

Antes de conhecer o contra-plongée, no entanto, é necessário entender o que é plongée. O termo francês, que equivale a “mergulho” na língua portuguesa, consiste em filmar a pessoa ou o objeto de cima para baixo, captando toda a sua dimensão.

Também conhecido como câmera alta, esse recurso normalmente transmite a ideia de inferioridade do que está sendo filmado, tendo em vista que o espectador é posicionado acima do objeto que está em cena, como na imagem a seguir:

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Wes Anderson, que dirigiu filmes como Os Excêntricos Tenenbaums, O Fantástico Sr. Raposo e Moonrise Kingdom, é um dos adeptos. Veja só:

Temos um excelente exemplo também em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, quando o jovem mago joga pela primeira vez o feitiço Patronus Charm. Assista abaixo.

Contra-plongée

Já o contra-plongée, que acaba por assumir o sentido de um “contra-mergulho”, define a situação inversa: a câmera fica abaixo do nível dos olhos dos personagens, voltada para cima.

Esse tipo de enquadramento, também chamado de câmera baixa, situa a pessoa ou o objeto filmado acima do espectador, engrandecendo o personagem e sugerindo, por consequência, a sua superioridade.

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Quentin Tarantino, responsável por Pulp Fiction, Kill Bill, Cães de Aluguel, Bastardos Inglórios e tantos outros hits da história do cinema, usa e abusa do plano contra-plongée. Confira:

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