Qual é o problema do Jazz apresentado em La La Land?Cinema

Qual é o problema do Jazz apresentado em La La Land?

Não há dúvidas de que La La Land – Cantando Estações é um dos maiores filmes do ano. O longa veio arrecadando inúmeros prêmios por todos as premiações e ontem na 89ª cerimônia de entrega do Oscar, ganhou 6 das 14 categorias que concorria.

Damien Chazelle, o diretor, trouxe de volta aos holofotes de Hollywood o gênero musical e abriu uma discussão sobre o Jazz. Com inúmeras referências cinematográficas e musicais, La La Land apresenta um estilo que há tempos não era visto ou debatido.


Leia Mais:


La La Land e o jazz em 2017

Em um dos melhores momentos do filme, Sebastian (Ryan Gosling) explica para Mia (Emma Stone) a razão de sua paixão pelo jazz. A garota, relutante, afirma que odeia o estilo.

O jazz que ela conhece é a famosa música de elevador do Kenny G ou, no máximo, o som relaxante de Norah Jones. E para grande parte das pessoas, jazz é isso. O verdadeiro Jazz já se tornou um estilo que, em nível popular, está quase morto.

O personagem de Gosling explica as sensações da música e tenta ensinar a Mia como escutar e sentir o Jazz. O caos entre o embate dos instrumentos, a inquietude, a complexidade, a beleza. Paixão que Damien Chazelle, o diretor do filme, tem e retratou em outras produções, como em Whiplash.

No longa, o protagonista do filme reverencia Miles Davis, Thelonious Monk, e John Coltrane  como se o jazz de verdade fosse apenas o feito na época deles, esnobando as fusões do gênero atualmente.

As principais críticas sobre a abordagem de ‘La La Land’

A crítica que mais chamou atenção recentemente foi feita pelo músico Rostam Batmanglij, ex-Vampire Wekeend e compositor de trilhas com a de The OA, no Twitter. Em uma série de mensagens, Rostam comentou resumidamente alguns problemas que podem ser observados no filme de Damien Chazelle:

La La Land não tem um único personagem gay. Não é a minha Los Angeles. Além disso, as pessoas não-brancas não tiveram papéis importantes na história. John Legend teve uma ótima atuação, mas o personagem dele era tipo o que? Um vendido? Que fazia música pop ruim? Os negros inventaram o jazz, mas agora precisamos que um homem branco venha salvar/preservá-lo? Desculpe, essa narrativa não funciona para mim em pleno 2016.

Além disso, Kareem Abdul-Jabbar, um dos maiores jogadores de basquete da história dos EUA e que agora é escritor e crítico musical, complementou essa discussão em um artigo para o Hollywood Reporter:

Um quadro recente do Saturday Night Live mostra dois policiais gritando com um homem algemado que acabou de ser preso por não ter achado La La Land bom. ‘O filme se arrastou um pouco lá pelo meio,’ ele reclama. ‘Seu filho da puta doente!’ diz um dos policiais, ‘Você me enoja!’. Isso exemplifica bem que a separação que acontece na cultura pop é quase tão profunda quanto a que acontece na política dos Estados Unidos. Como alguém que de fato achou La La Land corajoso, ousado e merecedor de todo seu sucesso de crítica e de público, também admito que há alguns elementos que precisam de uma análise mais detalhada, particularmente no que se refere a sua abordagem sobre o jazz, sobre o romance e sobre pessoas não-brancas.

Será que o Jazz foi realmente abordado de maneira correta em La La Land?

A discussão ainda não gerou uma resposta oficial da produção do longa. Talvez seja apenas uma tentativa de problematizar. A grande questão é, será mesmo que o que nos foi apresentado em La La Land é realmente a essência do Jazz?

Será que há mesmo uma segregação racial nesse gênero musical?

O que não da pra negar é que o filme consegue conquistar o coração dos mais céticos e trazer o sentimento de paixão pela música de volta à um gênero que gera tantos haters, o musical.

Posts Relacionados

Facebook Comments