Netflix dá a sua melhor tacada ao investir na incrível ‘Atypical’Séries & TV

Netflix dá a sua melhor tacada ao investir na incrível ‘Atypical’

Sem grandes promocionais e com uma produção de baixo orçamento, Atypical finalmente entrou para o catálogo da Netflix. A série, que conta a vida de Sam (um garoto autista em seu último ano escolar) e sua família, ganhou a minha atenção por acaso, em uma daquelas caçadas por algo novo, que acabam te levando aos projetos menos badalados da plataforma.

‘Atypical’ traz Jennifer Jason Leigh e os Gardner…

A grande vedete da série vem nas cenas de Jennifer Jason Leigh, mais uma vez controversa e genial, no papel da problemática e super protetora Elsa Gardner, mãe de Sam, interpretado por Keir Girlchrist.

A composição familiar dos Gardner, aliás, é toda cheia de “disfunções” e é interessante ver como cada personagem tem seu lado “awkward” e ainda assim conseguem conviver socialmente “disfarçados” de pessoa comuns. A filha que nunca se envolveu romanticamente, o pai que tem dificuldades de diálogos e a própria Elsa, com crises constantes de TOC (transtorno obsessivo compulsivo) não tratadas.

Autismo não romantizado

Como quase toda série a abordar distúrbios psicológicos/psiquiátricos/neurológicos, Atypical deve ter lá seus problemas de approach. Mas é bem bacana ver uma dramédia capaz de dar um toque de normalidade ao tópico, sem romantizar a “doença” para o público.

Você já notou a quantidade de produções de cinema e TV que insistem na premissa de que “é legal ser diferente” e maquiam de empatia, o que na verdade apenas banaliza uma situação absolutamente difícil para quem vive de fato?

O que ‘Atypical’ tem e muitas outras séries não?

Parei no primeiro episódio, sob a promessa de digerir calmamente cada história desta deliciosa sequência enxuta de 8 capítulos, com 30 minutos de duração e não cumpri a minha promessa. Atypical não tem momentos exageradamente fortes, não apela pro emocional ou para as risadas escandalosas. Assistir cada episódio é fácil, leve e ao mesmo tempo complexo, te deixando com aquela pulguinha reflexiva ao conseguir se desconectar da trama.

Depois de despedir-se de enredos rasos (e ainda assim queridinhos de público) em seu cardápio, é bom ver a Netflix apostando em histórias que nos atraem por debaterem temáticas novas e não mais do mesmo, com problematizações e contos que passam uma falsa imagem moderninha de desconstrução, enquanto brincam de reforçar o lugar comum nestes debates.

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