‘Mãe!’: as várias e intensas camadas do filme de Darren AronofskyCinema

‘Mãe!’: as várias e intensas camadas do filme de Darren Aronofsky

Mãe!, o novo filme de Darren Aronofsky, permite múltiplas interpretações. Mas, para bem ou para mal, o diretor falou um monte sobre o filme, explicando a maior parte das cenas.

Desde que estreou, Mãe! (Mother!) divide opiniões. Ou você ama, ou odeia. E cá por essas bandas, a gente amou — mas na estreia do filme, teve muita gente vaiando. Nós chegamos até a publicar a crítica de Bruno Ghetti, que esteve na exibição do Festival de Veneza e detestou o filme.

Mas a questão é que Mãe! tem várias camadas de filme, e todo mundo sai da sala abalado. Então, segue aqui uma compilação das três histórias que acontecem no longa com Jennifer Lawrence, pra você atiçar aquela conversa de cinéfilos de bar.


Atenção: esse post contém SPOILERS. Se não viu, corra para o cinema!


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‘Mãe!’ e as mulheres que nunca bastam

A primeira história, e a mais superficial, é o relacionamento conturbado protagonizado pelos personagens de Jennifer Lawrence e Javier Barden (reparou que ninguém no filme tem nome?). Tem muita gente chamando de abusivo por aí, mas acho que o buraco é mais embaixo: esse relacionamento é toda a idealização romântica para a qual as mulheres são criadas na nossa sociedade.

mãe! aronvsky

A protagonista é a esposa perfeita: ela vive em função do marido. Não só na dedicação ao lar, que ela remontou inteirinho, mas ela é completamente idealizada em todos os aspectos. Ela é uma musa inspiradora, e não muito mais do que isso.

Essa parte é bem explícita em vários diálogos do filme. Seja a personagem de Michelle Pfeiffer dizendo que ser mãe é dar e nunca ser o bastante, até a própria protagonista se queixando de que tudo é sobre o marido e o trabalho dela. Ela dá tudo de si, mas nunca é o bastante: bem as exigências que temos da mulher na nossa sociedade.

A inspiração bíblica de Aronofsky

Para as outras camadas do filme, temos histórias bíblicas, bem ao estilo Aronovsky. Suas narrações críticas reconstroem duas passagens: o Gênesis e a jornada de Maria, bastante demarcadas.

A primeira é repleta de elementos alegóricos: trazendo Jennifer como a grande Mãe Natureza, e Javier como o Criador. Aronofsky traz um Deus cínico e egoísta, que apenas se importa com sua criação, ignorando as consequências disso. Ele chega a trazer Adão e Eva na pele de Ed Harris e Michelle Pfeiffer, expulsos do paraíso por sua curiosidade. Como se não bastasse, ele traz Caim e Abel, numa violenta narrativa que traz fim a esse arco.

mãe! aronovsky

E claro, a Mãe Maria. Talvez essa parte tenha elementos mais claros ao espectador: uma gravidez quase miraculosa, o bebê que nasce, ganha presentes e é morto pelos seguidores do Criador. E é nessa hora que a Mãe vem com toda a força, para vingar a morte do filho. Pena que nunca é o bastante.

O único ponto que Darren Aronovsky não falou, e nem vai falar, é sobre o líquido amarelo que a protagonista toma:

Isso eu vou levar para o túmulo.

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