O melhor do Brasil não é o brasileiro: nós também estragamos as OlimpíadasEditorial

O melhor do Brasil não é o brasileiro: nós também estragamos as Olimpíadas

Ingrid, Rafaela e Joanna Maranhão. Em menos de 15 dias de Olimpíadas já tive a oportunidade de acompanhar casos de preconceito, machismo, homofobia e tantos outros problemas que com certeza chegam a ofuscar qualquer problema estrutural dos jogos.

Eu não sei o que aconteceu em Londres e provavelmente Pequim não tenha sido o lugar mais cabeça aberta da história esportiva, mas uma coisa é certa neste ciclo de competições que se hospeda no Rio de Janeiro: o pior do Brasil é o brasileiro.

Rio 2016: e o machismo de ouro vai para os brasileiros

O pior do Brasil é o brasileiro, porque mais do que qualquer coisa ele é moralista de maneira patológica. Caso Simone Biles se assumisse lésbica neste momento, ninguém dos EUA questionaria o merecimento da sua medalha.

O Reino Unido não se importa com a sexualidade de Tom Daley e é possível ver mais comentários positivos do que negativos, quando vemos uma foto dele com seu noivo.

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Mas estas três atletas estão tendo o maior momento de suas vidas transformado em uma chuva de negatividade e ódio. Abrir as redes sociais para comemorar com as pessoas que amam e ser chamada de lésbica suja é rotina para Rafaela, que ganhou o primeiro ouro do Brasil nesta temporada e, além disso, tem uma história merecedora de filme.

Uma mulher negra, pobre e lésbica, que sofreu racismo, machismo, miséria e homofobia por toda a vida, mas ainda assim chegou aonde chegou.


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Nós também nos unimos para linchar Joanna Maranhão. Não apenas os fundamentalistas, mas muitos dos homossexuais de “direita”, que invalidaram os dois pontos principais da história por trás de sua derrota: ela continua uma grande nadadora e se ela assumiu posicionamento político, ela nada mais é do que genuína e corajosa.

Joanna se assumiu contra o PIOR nome dentro da política brasileira, Jair Bolsonaro. Seu grande prêmio? Uma campanha na internet para que ela seja estuprada.

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Para finalizar, Ingrid! A saltadora que resolveu transar. Não bastasse ter uma carreira resumida à sua beleza e não ao fato de ser uma esportista de sucesso em um esporte esquecido, Ingrid foi de musa das Olimpíadas à Puta dos Jogos Olímpicos.

Ninguém se lembra de quem compartilhou o momento com ela, ninguém fala sobre isso. Mas todo mundo quer falar do seu corpo e do que ela faz com ele.

Nosso patriotismo entra em quadra para fazer campanhas quando um jogador de vôlei manda brasileiro calar a boca em nosso território. A internet se mobiliza e invade as redes do cara. Mas na hora de defender os nossos de nós mesmos?

Nos calamos e achamos justo, ser donos dos méritos, corpos e decisões daqueles que nos defendem e dão qualquer mérito esportivo para um país que não tem quase nenhum investimento na área.

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