‘Kong: A Ilha da Caveira’ já é um dos melhores filmes do anoCinema

‘Kong: A Ilha da Caveira’ já é um dos melhores filmes do ano

Kong: A Ilha da Caveira finalmente estreou nos cinemas. A nova aventura do macaco gigante teve uma divulgação incrível, e podemos garantir: o resultado final é ainda melhor. Como o ator Tom Hiddleston havia prometido, A Ilha da Caveira não é “o Kong clássico”. Aqui há muito mais energia, ação, aventura e… até terror.

Relembre o trailer do filme e veja a seguir nossa opinião sobre Kong.


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Equipe brilhante de ‘Kong: A Ilha da Caveira’ está em sua melhor forma

As inspirações de Kong estavam claras desde os primeiros trailers. O filme se passa no finalzinho da Guerra do Vietnã, e isso é evocado em todo lugar, desde a história, passando pela estética — reminiscente de filmes como Apocalypse Now — e até na trilha sonora. Por falar em estética…

O que podemos dizer do trabalho do diretor de fotografia, Larry Fong? É quase impossível achar uma tomada que não seja extremamente única, diferente — e belíssima. Fong já havia nos presenteados com visuais impecáveis em filmes como Watchmen e 300. Pelos trailers de Kong, já podíamosesperar algo ainda mais grandioso. Mas ele foi além, tratando cada quadro do filme como uma obra de arte. É uma tragédia que Larry ainda não tenha sido indicado a um Oscar — infelizmente, conhecendo as politicagens da Academia, é improvável que seja por Kong —, mas seu trabalho, principalmente neste filme, será lembrado como algo que está mudando o jogo em Hollywood.

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Claro que o mérito da estética não é apenas dele. Além da equipe de direção de arte, temos o diretor Jordan Vogt-Roberts. Apesar de estar apenas em seu segundo filme, está claro que ele sabe muito bem o que está fazendo. Além das tomadas de tirar o fôlego, o ritmo do longa é impecável. Se Gareth Edwards tomou a decisão (acertada) em Godzilla de “esconder” o monstro quase sempre, para dar aos espectadores a mesma visão dos personagens, aqui o jogo é outro. King Kong é mostrado em toda sua glória desde o começo da trama, em um contexto que faz sentido e deixa a audiência tensa a cada momento.

O “MonsterVerse” pode acabar se tornando o melhor universo narrativo dos cinemas

Por falar em Godzilla, vamos tratar de mais um dos pontos altos do filme: a construção de um universo cinematográfico. A ligação entre os dois filmes se dá pelo Projeto Monarca, algo que já havíamos visto nos trailers (não vale reclamar de spoiler!) e que está envolvido fortemente na trama de Kong.

Kong: A Ilha da Caveira e Godzilla são dois filmes muito diferentes. Apesar da temática em comum, é impossível não ver os contrastes: no ambiente (tanto histórico quanto geográfico); nas ambições; nos aspectos técnicos; na própria história. Ainda assim, são dois filmes que estão, de fato, no mesmo universo, e que são extremamente bons. Ambos são produções de altíssima qualidade. E há uma grande qualidade, também, no sentido de “amarrar” estes filmes: em hora nenhuma parece que um dos filmes “perde” a essência para explicar ou provocar alguma ligação. Tudo é feito de maneira muito natural e muito, muito interessante.

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Comparando com outros universos cinematográficos, o “MonsterVerse” da Warner Bros. e da Legendary Pictures pode acabar se tornando o de maior qualidade nos tempos atuais. O mais forte, é claro, é o Marvel Cinematic Universe, que tem entregado produtos de qualidade constante. No entanto, seu começo não foi tão forte assim, com O Incrível Hulk, seu segundo filme, tendo sido bastante criticado e praticamente ignorado. Os outros universos também têm tido dificuldade para se estabelecer: o DC Extended Universe, apesar das boas bilheterias, não consegue se livrar das críticas (muitas merecidas); e o Universo de Monstros da Universal, que deveria ter sido iniciado com Drácula – A História Nunca Contada, foi um tiro no pé. Godzilla e Kong podem, em breve, ser lembrados como o melhor início de um Universo Cinematográfico.

O grande ponto negativo de ‘Kong: A Ilha da Caveira’

Infelizmente, mesmo com tantos acertos técnicos, uma coisa faltou em Kong. Em qualquer outro filme, poderia ter sido um erro imperdoável, que colocaria tudo a perder. Aqui, no entanto, com tanta coisa a favor, fica difícil até reclamar de algo que, embora essencial, não parece fazer tanta falta. Estamos falando do roteiro.

Não que “não haja” um roteiro ou que ele seja ruim; não, nada disso. A história de Kong é bem pensada e elaborada, nos dando um survival horror envolvente. Queremos saber o que acontece. O que atrapalha são algumas coisas no desenvolvimento da história. Em especial o personagem de John C. Reilly, que altera entre ser um alívio cômico (forçado), um guia para os personagens, uma análise do peso do isolamento no ser humano, ou o “herói” do terceiro ato. Mas não é só ele; algumas piadas entregues por soldados parecem o tipo de reescrita de última hora que tanto atrapalhou Doutor Estranho.

No entanto, com tantas coisas empolgantes e boas para ver em duas horas de muita ação, dá para deixar passar esse detalhe. E, se tudo continuar correndo bem para a Warner, quando chegarmos em Godzilla vs. Kong, não teremos uma coisa sequer para reclamar.

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