Pós-Impeachment: 10 motivos que inviabilizam o Governo de Michel TemerEditorial

Pós-Impeachment: 10 motivos que inviabilizam o Governo de Michel Temer

E aconteceu o que muita gente já esperava: o Senado Federal confirmou o Impeachment da Presidenta Dilma, por 61 votos favoráveis contra 20. Mas engana-se quem acha que o novo Governo Temer resolverá a situação sombria que nossa política adentrou.

Antes de mais nada, vou continuar chamando Dilma de Presidenta, porque se todos os ex-Presidentes do Brasil ainda são chamados assim (vide Itamar, FHC e Lula), ela também pode. E é PresidentA mesmo, no feminino, porque isso é a norma correta da nossa Língua. Se você não concorda, sugiro comprar um dicionário.

Michel Temer está longe de ser um pacificador. Pelo contrário: muitas de suas atitudes comprovam uma variável força que transita entre a rispidez e o vitimismo. Abaixo elencamos alguns pontos que provam o que muita gente já percebeu: o Governo Temer não chega como pacificador, e muito menos como via de mudança na política nacional.


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10 pontos para comprovar que o Impeachment não será nenhum salvador da Pátria

01. Vitimismo X Vitimismo

Muita gente critica a postura de vitimismo “adotada” por Dilma Rousseff depois que foi destituída do cargo. Mas aí vale a lembrança da primeira vitimização que esse processo todo fez: Michel Temer.

Quem não lembra o atual “pacificador” do país “vazando” uma cartinha onde se dizia vítima da Presidenta, sendo deixado de lado de decisões importantes por ela?

Se você não se recorda, foi ali que tudo começou a tomar forma no que culminou na destituição de Dilma ontem. Os Deputados e Senadores já haviam virado as costas para Dilma e a carta de Temer foi a facada final em tudo isso.

Não dá para acreditar numa legitimidade de 100% do Governo Temer se o próprio Presidente fingiu vazar uma carta apenas para causar ainda mais mal estar no relacionamento entre Dilma e congressistas.

Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo. Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.

Saiba mais no G1.

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02. Golpe X Golpe

Os defensores do Impeachment sempre se valeram da máxima de que ele não era um golpe, justamente o que Dilma defendia. Bradaram aos quatro cantos do mundo que tudo era democrático e seguiria assim até o final.

Mas foi só Ricardo Lewandowski dividir a votação final do Impeachment em duas para que os mesmos que riam da justificativa de golpe adotarem a mesma justificativa agora. Ué, mas o processo não era democrático?

Se o discurso muda assim tão rapidamente, onde encontraremos a solidez necessária à base do Governo para seguir governando o nosso país?

Após decidir não recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar o resultado da votação final do julgamento de impeachment, a cúpula do PSDB decidiu nesta quinta-feira (1º) que irá ajuizar um mandado de segurança para pedir a anulação da segunda votação, que manteve a habilitação política de Dilma Rousseff.

Saiba mais no G1.

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03. Blindagem de Temer

Michel Temer, assim como Dilma, estava sendo investigado por problemas da chapa nas Eleições de 2014. Com a entrada oficial de Temer na Presidência, o político agora está blindado a quaisquer processos anteriores a isso.

Temer agora só pode responder por processos referentes à sua atual gestão, caso faça alguma coisa inconstitucional. Isso na verdade é uma espécie de privilégio dado a quaisquer Presidentes que estejam no gozo de suas funções.

A confirmação de Michel Temer na Presidência em caráter definitivo irá blindá-lo de investigações que apurem sua participação no financiamento ilícito de campanhas do PMDB pela Odebrecht e a Transpetro, seu envolvimento na indicação de um diretor da Petrobras preso por corrupção e sua influência no setor portuário em favor de um doador de sua campanha, entre outros episódios.

Saiba mais na Carta Capital.

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04. Impugnação de candidatura

Michel Temer havia dito anteriormente que não tinha interesse em concorrer a uma reeleição em 2018. Mesmo que quisesse e mudasse de opinião agora, enfrentaria mais problemas para tentar “tirar o Brasil do atraso“, como ele mesmo disse.

O Ministério Público já deu seu parecer, caso Temer queira se candidatar nas próximas Eleições Presidenciais. A justificativa? Temer é potencialmente inelegível porque foi condenado em segunda instância pela Lei da Ficha-Limpa.

O Ministério Público pretende impugnar a candidatura de Michel Temer se ele se candidatar a presidente em 2018. A afirmação é do promotor paulista José Carlos Bonilha, autor da ação que condenou o presidente interino por doações acima do limite legal na campanha eleitoral de 2014.

Saiba mais na Folha de S. Paulo.

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05. Troca de favores

Se alguns criticaram os últimos momentos antes da votação final do Impeachment, quando Dilma e Lula tentavam trocas e acordos com senadores, o que a maioria deles se esqueceu, ou não se lembram, é que Michel Temer fez a mesma coisa.

Trata-se de uma prática antiga dos Governos Brasileiros: um presidente negocia cargos em troca de apoio em votações no Congresso e no Senado. De certo modo, é isso que eles chamam de governabilidade. Um Governo governa bem se não realiza benefícios para o povo.

Acima de tudo, um Governo só governa bem se conseguir acalmar os ânimos dos políticos oferecendo Ministérios ou outros cargos aos partidos em troca das aprovações no Congresso ou no Senado referente àquilo que o Governo quer.

E vale lembrar mais uma coisa, curiosa por sinal. Renan Calheiros e Michel Temer estavam muito interessados em aprovar o aumento de quase R$ 10 mil nos salários dos ministros após a aprovação do Impeachment.

Estranho, principalmente na atual crise do país, onde Temer já sinalizou que vai cortar gastos em outras áreas que afetam diretamente a população enquanto partes do Governo ganham aumentos.

Em aceno ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, Renan Calheiros (PMDB-AL) quer votar o reajuste nos salários dos ministros do Supremo ainda nesta quarta-feira (31), após a votação do impeachment de Dilma Rousseff. Ele convocou sessão para as 17h. O aumento está previsto no projeto que eleva o teto dos vencimentos do Judiciário de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil.

Saiba mais na Folha de S. Paulo.

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