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Funk é cultura, faz sucesso, gera renda e vai ser defendido, simMúsica

Funk é cultura, faz sucesso, gera renda e vai ser defendido, sim

Um preconceituoso projeto de lei que pretende criminalizar o funk ultrapassou as 20 mil assinaturas necessárias para chegar ao Senado.

O autor do projeto, Marcelo Alonso, defende que o ritmo é um crime de saúde pública à criança, ao adolescente e à família e propaga atitudes violentas. Ele ainda vai mais longe e categoriza o ritmo como um lixo.

funk nego do borel agambiarra

Nego do Borel

Nem todo mundo concorda com o projeto. Ainda bem. O senador carioca  Romário Faria (PSB-RJ) se sentiu atingido pela projeto e vai convidar vários nomes relevantes do funk nacional para defender o movimento no Senado. Entre os convidados estão Anitta, Valesca Popozuda, Bochecha e Tati Quebra Barraco. Romário diz em entrevista:

Eu, como carioca nato e eterno funkeiro, faço questão de defender essa bandeira.[…] O funk tira as pessoas do desemprego e movimenta a economia.

Depois da notícia, Anitta ainda falou umas verdades em seu Twitter:


Leia mais:


Ouça (e siga) nossa playlist “Funk É Cultura SIM” e esteja a par das últimas novidades do estilo


Eu só quero é ser feliz na favela onde eu nasci

O funk fala a realidade. Assim como qualquer outra manifestação cultural, o conteúdo do funk é baseado no cotidiano de quem o faz. O estigma do ritmo se dá pela sua origem periférica concentrada nos povos marginalizados da favela. O conteúdo de suas letras narra eventos chocantes da vivência diária de moradores que precisam lidar com a ações truculentas da polícia nos morros, assim como o tráfico e a falta de infra-estrutura urbana.

MC Livinho

O funk incomoda porque canta o lado da vida que a classe média favorecida e principal consumidora da industria cultural mainstream finge que não vê. Isso porque o favelado é categorizado como o criminoso sem educação e cultura e tudo que ele produz seria sem qualidade, o que não é verdade.

O estilo causa desconforto, mas não por sua qualidade sonora, e sim pela sua origem. Os moradores da favela já sofrem preconceito em diversas esferas da sociedade  e quando essa população encontra uma alternativa para melhorar de vida e ascender socialmente, através do funk por exemplo, os ego dos privilegiados que usufruem dos serviços de segurança, educação e cultura é atingido.

Funk é cultura, sim

O Funk é uma manifestação cultural tão legítima como foi a Tropicália e o Samba. Em escalas e contextos diferentes, todas elas são forma de resistência e denúncia e já foram, também marginalizadas e censuradas.

O Rap da Felicidade chocou os brasileiros por trazer o ponto de vista de um morador da favela. “Diversão hoje em dia não podemos nem pensar. Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar”.  

“Andar tranquilamente na favela onde eu nasci” é um desabafo sobre o preconceito étnico e econômico que se estende para a cultura. Criminalizar o funk seria criminalizar a pobreza e reforçar o racismo.

Vale lembrar que mesmo com o projeto encaminhado para o Senado, no Rio de Janeiro, os famosos bailes funk já são folclore desde a implementação das UPPs nos morros.

O objetivo era o tráfico, mas o projeto erradicou uma fonte de renda legítima daquela população e sua principal opção de lazer. Era nos bailes o lugar de fala e diálogo com a juventude da comunidade.

Com plaquê de cem, dentro do Citroen

O funk afronta a hegemonia cultural. Toda a lógica da indústria do entretenimento está voltada a classe que consegue consumir esse tipo de produto. Ou seja, quem pode pagar o ingresso de shows, comprar os discos, as camisetas de bandas, etc. O Funk não. As barreiras que o ritmo encontra na indústria são enormes.

Mesmo assim, os MCs são um sucesso em todo Brasil. Não há como negar que o ritmo está disseminado pelas paradas e, hoje, notamos uma diferença em seu conteúdo.

Agora o funk está se adaptando e editando seus versos para serem tocados nas rádios e alcançarem um público maior. KondZilla tem um papel importante nessa produção. O cineasta entende que quem ouve funk também merece um material de qualidade. Seus vídeos tem milhões de visualizações.

O estilo compete com os “renomados” nomes da música e é consumido por uma juventude já saturada das desigualdades e preconceitos sociais. Os cachês dos MCs são tão altos como os de alguns cantores da MPB, do Pagode e do Pop. MC Gui já chega a cobrar 100 mil por uma apresentação, por exemplo.

O estilo, além de falar o que quer, movimenta a economia em regiões onde o consumo musical é escasso e isso é incrível. Usufruir de algo que remete a sua própria realidade, como o funk faz com o gueto, reforça a ideia de uma identidade autêntica.

My pussy é o poder

Para somar a isso tudo, o estilo ainda consegue dar voz a discursos ditos imorais. Valesca Popozuda é altamente rechaçada pelas letras de suas músicas. Ouvir uma mulher cantando seus desejos sexuais é uma afronta para quem acha que mulheres precisam ser recatadas e do lar. Os bons costumes que se preparem porque nada disso vai parar.

Outra que é dessas que fala o que pensa bem na sua cara é MC Carol. A funkeira também é conhecida por suas letras que invertem a lógica misógina da sociedade.

É som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado

Com todos esse motivos falados, o funk já devia estar em todas as playlists do mundo. O ritmo consegue, além disso tudo, divertir as pessoas.

Extremamente dançante, o ritmo inaugurou o passinho nas festas e o gingado é apreciado pelo mundo todo. Não existe twerk perto de um quadradinho. Respeita.

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