O ativismo social como arma de marketing: o que as empresas estão fazendo?Buzz

O ativismo social como arma de marketing: o que as empresas estão fazendo?

Algumas empresas da atualidade têm tomado decisões bastante ‘responsáveis’ e nobres enquadradas dentro do ativismo social, mas que podem ser vistas como uma bela estratégia de marketing. A matéria original foi feita por Alex Holder, publicada no The Guardian e mostra que quem acredita que comprar o café do Starbucks é também ajudar os refugiados nos Estados Unidos, é bom ter uma coisa em mente.

Desde que Trump vetou a entrada de pessoas de determinadas nacionalidades (Síria, Irã, Iraque entre outros), o Starbucks anunciou, por exemplo, que iria contratar 10.000 refugiados em até cinco anos. A Airbnb (empresa de hospedagem) também disse que quem não conseguisse embarcar de volta para os EUA por conta de sua nacionalidade, receberia moradia de graça até que pudessem voltar para casa. Os exemplos não são só esses.

O CEO da Starbucks, Howard Schultz, disse em uma nota:

Estamos vivendo em uma época sem precedentes, na qual somos testemunhas do movimento da consciência do nosso país, e a promessa do sonho americano, sendo colocados em questionamento. Esses tempos incertos pedem medidas e ferramentas de comunicação diferentes do que usamos no passado.

Apesar de memoráveis, às vezes, é duvidoso ver grandes empresas fazendo ações por caridade sem esperar algo em troca. O marketing entendeu que estamos preocupados e simpatizamos com as causas minoritárias.

Palavras como empoderamentofeminismo, antirracismo, multiculturalismo e direitos LGBT, que faziam parte de uma agenda absolutamente de esquerda, agora estão incorporadas na lógica do capital.

As ferramentas de comunicação de que Schultz fala são diferentes porque mudamos – um pouco – a forma como pensamos. A sensualidade era o coringa da propaganda, mas hoje é o ativismo social que está estampado nos outdoors.


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Marketing: Antes era o sexo, agora o que vende é o ativismo social, e as empresas sabem disso

Não muito tempo atrás, as campanhas de cerveja abusavam do corpo feminino e seu marketing vendia a bebida como se ela fosse dar uma mulher bonita de brinde. Eram propagandas extremamente machistas e abusivas.

A Skol, uma vez, estampou cartazes com a frase “Esqueci o ‘não’ em casa”. Mas depois de ser questionada e acusada de apologia ao estupro, a marca mudou. Agora, os cartazes dizem “No Carnaval, respeite.”

Outro exemplo é a Itaipava. Dá uma olhada nas propagandas.

O ativismo social é mediado pelas marcas

Outro exemplo são as marcas da Unilever. A multinacional é responsável por marcas como Dove, Axe, Seda e Rexona. Comparando a campanha de marketing das marcas separadamente podemos ver que não é bem ativismo que a Unilever está fazendo.

Há alguns anos, a Dove vem retratando mulheres comuns na campanha “Dove Beleza Real”. A publicidade ganhou notoriedade no mundo todo e ultrapassou os limites da propaganda e tornou uma experiência social. Incrível, né?  A grande maioria feminina não se sente a vontade com sua aparência, mas essa campanha pode ter ajudado.

O lado incoerente disso é que a Dove é da Unilever, que também comanda a Axe. A empresa voltada para o público masculino é famosa por suas propagandas audaciosas e não se preocupa com a imposição da beleza tanto quanto a Dove. Os vídeos mostram modelos exuberantes aos pés do homem que passa o desodorante Axe. Além disso, quase sempre desliza no machismo, como diz o artigo de Alex Holder para o The Guardian.

Que conclusão tiramos disso?

Ativismo social vende! No Reino Unido, o café instantâneo Kenco está aumentando suas vendas não por ser bom. A empresa treina jovens em Honduras para se tornarem cafeicultores invés de marginais.

Nos EUA, durante uma manifestação dos taxistas, a Uber teria sido acusada de sabotar o protesto. Rapidamente, a hashtag #deleteuber virou tendência e outra empresa de transporte entrou no jogo. A Lyft anunciou que iria doar um milhão de dólares para uma ONG que defende os direitos individuais (ACLU). Nesse dia, os downloads da Lyft superaram os da Uber.

Não podemos esquecer da lata da Coca-Cola que dizia “Essa Coca é Fanta”. A campanha surgiu no mês de apoio à comunidade LGBT e foi um tremendo sucesso.

Alguns já diziam que o capitalismo é voraz o suficiente para abocanhar qualquer brecha e lucrar mais. Se as fraquezas da sociedade estão em alta, é lógico que as empresas vão utilizar disso para aumentar a receita. Vale pensar no que nós ganhamos com isso. Um café consciente? Uma corrida ativista?

É difícil dizer se comprar de marcas preocupadas com o corpo social realmente altera a pirâmide. O fato é que nada muda se a responsabilidade sobre o coletivo tiver sido transformada em consumo de produtos “conscientes”. As classes continuam as mesmas.

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