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“Sahar”: um curta que deixa para o espectador a conclusão da história

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Que tal testar seu conhecimento, e até mesmo sua ignorância (no sentido real desta palavra) em relação à cultura oriental muçulmana? É isto que busca o curta-metragem Sahar, uma obra prima do diretor Alexander Farah.

A história, em linhas gerais, se mostra incompleta, deixando ao telespectador o papel final de juntar as pontas apresentadas para criar aquela conclusão embasada nos nossos pré conceitos. Um ponto bastante positivo aqui.

Sahar سحر from Alexander Farah on Vimeo.

“Sahar”

O filme apresenta o início e o fim da história centrada na família de Sahar. Todos eles são imigrantes muçulmanos que vivem de forma estável no Canadá. Sahar representa a jovem que se adequa fácil aos conceitos ocidentais. Seu pai continua sendo o típico homem da família oriental, rígido até o último fio de cabelo.

O contraponto vem da mãe e do filho. Ela, também tradicional, mas de grande coração, que aceita todos os rompantes violentos do marido, mesmo que estes rompantes não signifiquem de fato violência física (mas será?). Ele, um jovem estudioso e obediente, que apesar de não ligar para a rotina vivida pela irmã, não consegue mentir para seu pai, e acaba contando tudo o que acontece.

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Pontas soltas

Como dito anteriormente, o filme deixa várias pontas soltas, que vão se juntando de acordo com a experiência histórica e cultural de cada um. A história começa do final, com o filho sendo interrogado pela polícia, que quer saber o que aconteceu. Mas o que aconteceu? Não sabemos.

O curta segue então para o início de todo o drama, com a família preocupada por diversos motivos: a filha que sai de casa para curtir a noite e volta tarde, os telefonemas anônimos que eles sempre recebem, bem como misteriosos ataques a todos eles, como o que vimos quando alguém quebra o carro da família.

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É uma grande mistura de intolerâncias, internas e externas, que vão desde a intolerância do pai com a filha subversiva que deixa claro que não quer seguir as tradições culturais da família, até a intolerância de pessoas contra famílias de culturas diferentes.

Quando Sahar volta para casa, tarde da noite, seu irmão não levanta para, como sempre fazia, abrir a porta para ela. Isso faz com que a jovem tenha que enfrentar o próprio pai, que cego de ódio, revira a sua bolsa, briga com ela e a expulsa de casa.

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A partir daí não sabemos de mais nada. O irmão chora, copiosamente, abrindo um leque de possibilidades interpretativas. Será que aconteceu algo com a sua irmã? Será que o pai explodiu de forma violenta contra alguém? O que VOCÊ acha?

A sua interpretação parece ser a chave para a conclusão da história, e permite visões diferenciadas sobre tudo aquilo que achamos que sabemos, como o caso da cultura e tradição muçulmanas. No final das contas, você acaba percebendo que a sua interpretação de Sahar vale mais do que uma história comum, entregada e explicada logo de cara pelo próprio diretor.

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