‘Blind’: novo filme do ator Alec Baldwin é rechaçado por grupo de advogados por usar ‘cripface’Cinema

‘Blind’: novo filme do ator Alec Baldwin é rechaçado por grupo de advogados por usar ‘cripface’

The Ruderman Family Foundation, um grupo de advogados que defende as causas dos deficientes denunciou o novo filme de Alec Baldwin, Blind (Um Novo Olhar aqui no Brasil), por usar cripface (termo usado para designar atores não deficientes que interpretam deficientes). O principal argumento que eles utilizaram na acusação foi a recorrente representação das deficiências como uma “fantasia” pelo cinema. Isso já começa pelo próprio título original que significa ‘cego‘.

Uma nota oficial feita para o Los Angeles Times diz:

Alec Baldwin em Um novo olhar é o último exemplo do cinema tratando as deficiências como uma fantasia. Nós já não achamos aceitável atores brancos interpretarem personagens negros. Deficiência como figurino também precisa tornar-se universalmente inaceitável.

Em Blind, Alec Baldwin vive um romancista cego que inicia uma paixão com uma socialite milionária (Demi Moore). Ela lê para ele por conta de um serviço comunitário que faz como pena de um crime de colarinho branco cometido pelo marido (Dylan McDermott). O filme deve chegar no Brasil no dia 2 de novembro.


Leia mais:


Falta representatividade e inclusão no cinema

Quantos filmes com protagonistas deficientes nós já vimos por aí? Em quantos deles o único mote é a superação ou romantização da trajetória de superação dos personagens? Pois é, não são poucos. Não que isso não seja relevante, nem que não possa ser um enredo poderoso, como vemos em Meu Pé Esquerdo. Mas, agora, é preciso mais atenção e cuidado.

O que a nota do grupo de advogados disse sobre o uso da cripface em Blind se estende para outros pontos. Ainda faltam duas palavras na indústria cinematográfica: representatividade e inclusão.

A defesa por uma maior representatividade nas telas não quer dizer que os atores que fazem esses papéis não sejam bons ou incapazes de fazer x ou y personagem. Na verdade, é que eles, ao interpretarem uma história seja de romance, superação, terror, não estão no lugar de falar sobre essa história. Fazer isso não faz o que o próprio discurso ou roteiro prega: a inclusão dessa minoria. São poucos os atores nessa condição que, de fato, mostram que sua peculiaridade pode sim, ser mostrada de outra forma. Peter Dinklage, o Tyrion Lanister de Game of Thrones RJ Mitte, o Walter White Jr. de Breaking Bad são dois deles.

Outro ponto é o reconhecimento dos atores que interpretam esses personagens. De quebra, ao rotular a deficiência como figurino, os advogados revelam uma constatação: vários atores já foram laureados por conta de uma cripface. No fim, acabamos enaltecendo o que essa minoria critica: não ser taxado por sua deficiência.

Há exceções

Um blog americano voltado para esse público dá um bom exemplo de possibilidade de uma representação menos romantizada: Charlize Theron em Mad Max. Segundo eles, toda a construção da personagem da imperatriz Furiosa é totalmente cabível para o que ela faz no filme. Desde a prótese realista que ela usa até a falta da causa de sua amputação (que não importa no filme) foram citados. De todo modo, o enredo não nos deixa sentir pena por ela por conta de sua deficiência. Ela é forte por outros motivos.

O que Hollywood precisa é ouvir quem está tentando representar e dar lugar para que eles falem e façam. Não só Hollywood, o mundo todo.

Facebook Comments