Assédio sexual nos festivais: o backstage que ninguém vê (ou finge que não)Buzz

Assédio sexual nos festivais: o backstage que ninguém vê (ou finge que não)

Não é tarefa fácil um homem escrever sobre assédio sexual. Afinal, raros são os casos em que o sexo masculino é vítima de tal grosseria e estupidez. Tão difícil quanto achar um só homem que tenha passado por tal infortúnio, é achar uma única mulher que nunca o tenha vivido.

O ano é 2017 e pouco – MUITO POUCO – se houve falar sobre o assunto. Na maioria das vezes, quando não se culpa a vítima, são colocados tantos panos quentes para esconder o acontecido que ele simplesmente parece irreal, fruto do imaginário. Porém, ao se colocar na pele de quem sofre tal assédio, não é – e não deve ser – tão fácil assim esquecê-lo.


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Assédio no festival Bravalla e cancelamento da edição de 2018

Entre os dias 28 de Junho e 01 de Julho, aconteceu na Suécia um dos maiores festivais de música do país, o Bravalla. Após o termino do evento, foram registrados 04 casos de estupro e 23 casos de assédio sexual. Com certeza houveram mais casos de assédio sexual, entretanto, um dos pontos que agravam o problema é a falta de credibilidade que uma mulher tem ao pedir ajuda ou ao relatar o acontecido.

Os números não são, de forma alguma, dignos de orgulho. Porém, a atitude tomada pelos organizadores do evento deveria servir de exemplo. Ao perceberem que o problema era recorrente e que estava aumentando com o passar dos anos, eles decidiram cancelar a edição de 2018. Isso mesmo, os próprios organizadores decidiram que era impraticável ter um festival que gerava medo nas mulheres. Sobre isso, eles declararam:

Alguns homens aparentemente não conseguem se comportar. É uma vergonha. Nós tomamos então a decisão de cancelar o Bravalla 2018.

A grande diferença dessa atitude é que ela leva em consideração a experiência vivida dentro do festival. Se as mulheres não se sentirem confortáveis, respeitadas e livres, então está tudo errado.

A grande diferença dessa atitude é que ela leva em consideração a experiência vivida dentro do festival. Se as mulheres não se sentirem confortáveis, respeitadas e livres, então está tudo errado.

Silêncio no Brasil: se ninguém souber não aconteceu?

Infelizmente, no Brasil, tomar esse tipo de atitude parece algo muito, muito, distante. Em festivais como o Villa Mix, que aconteceu nos dias 01 e 02 de Julho em Goiânia, por exemplo, é improvável que vejamos tal consideração. Por mais que não se possa conjecturar que todo frequentador de festivais seja um provável assediador, é difícil acreditar que o fato não tenha ocorrido. O que torna isso angustiante, é que os pedidos de ajuda provavelmente nem tenham sido atendidos, e, muito menos, contabilizados.

Os responsáveis pelos eventos devem começar a se responsabilizar sobre tais atos. Melhorar a segurança e fazer com que o ambiente seja menos machista pode sim começar a solucionar o problema. É triste perceber, no entanto, que praticamente não existem campanhas de conscientização nesses ambientes.

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