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‘Assassinato no Expresso do Oriente’: Suspense Policial traz boa pincelada blockbuster e aroma de franquiaCinema

‘Assassinato no Expresso do Oriente’: Suspense Policial traz boa pincelada blockbuster e aroma de franquia

Por Fernando Galassi.

Imagine-se vivendo na metade da década de 30, embarcado em um luxuoso trem que parte da Ásia com destino final a Europa. Tudo ocorre normalmente até dois incidentes incomuns: um descarrilhamento durante um período de inverno com forte nevasca e um assassinato em um dos vagões, que bota a mira na cara de 13 suspeitos de histórias bem diferentes. Essa é a premissa de Assassinato no Expresso do Oriente, um dos clássicos intocáveis da extensa linha de publicações de Agatha Christie e seus sucessos de suspense polícial.


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‘Assassinato no Expresso do Oriente’ teve uma grande preocupação com sua fotografia e o modo em que foi filmado

Pode-se dizer com tranquilidade que esse é um bom ano para o retorno de Kenneth Branagh, que em apenas em 2017 estreou de uma vez dois blockbusters – e fazendo bons acertos em ambos.

As últimas produções de Kenneth contam com uma direção de fotografia de alta qualidade e bom gosto. A impressão que fica é que a leitura visual aqui foi tratada ainda com mais carinho e criatividade, principalmente por representar uma obra com assinatura de Christie, que sempre foi muito descritiva em seus livros.

Cenas filmadas de cima, para uma visão mais analítica da cena do crime, e outras filmadas dos cantos, como quem está ali sorrateiramente ouvindo uma conversa alheia para colher as mais sórdidas informações, transportam o público de maneira criativa para uma posição de detetive particular também. Isso destaca o método que Hercule Poirot afirma praticar, de “analisar o comum para destacar o incomum”.

Kenneth Branagh retorna em grande estilo

Poirot, é o investigador-herói de destaque no longa e é vivenciado pelo próprio diretor/ator, Branagh, que se entrega de cabeça ao papel. Ele faz uma ótima intepretação do personagem como um excêntrico especialista, do tipo exigente e com alguns transtornos mas também de bom coração. Sua vulnerabilidade tem o nome de “Katherine”, uma mulher que ele nutre um sentimento e não se explica exatamente sua relação com ela, apenas um retrato.

Embora o filme seja uma boa atualização do oitavo livro de Agatha Christie e traga um elenco balanceado em atuações, o olhar torto do público se direciona para o assassino Ratchett. Vivido pelo ex-venerado ator Johnny Depp, ele faz bom papel de gângster canalha nas telas.

Como o personagem, ele também tem uma má reputação e talvez essa seja a saída para o público não boicotar o filme. Depp estagnou-se no mesmo tipo de atuação há muito tempo, mas Branagh soube dosar e o colocou como um típico personagem antagonista de trama policial, carismático em sua antipatia e mau-caratismo.

Fascismo e racismo

Outro momento interessante da produção é quando Willem Dafoe, Daisy Riley e Leslie Odom Jr. abordam temas políticos da época de maneira corriqueira, como o fascismo e o racismo. Adaptado para a época, os temas eram tratados de maneira comum. O diretor Branagh não fez a menor questão de censurar.

Esses temas pode ser um eventual incômodo para quem assiste o filme, já que com frequência é compartilhado entre os personagens. Esses jogam o tempo todo com seus papéis sociais respeitáveis – sejam eles comerciantes, nobres, artistas, mordomos, enfermeiras –, e se descobrem por fora desse mundo benigno maquiado por suas funções.

Feito para ser um blockbuster, tudo leva a crer que Kenneth desdobrará em franquia a nível de produções como Código da Vinci, mas espera-se que com um toque mais suave para não perder de vez a mão na imaculada sequência de obras de Agatha Christie.

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