O hedonismo da noite paulistana em “Aquilo que os Jovens Chamam de Música”Cinema

O hedonismo da noite paulistana em “Aquilo que os Jovens Chamam de Música”

O projeto nomeado Aquilo que os Jovens Chamam de Música é dirigido por Fernando Nogari e Thales Banzai. Disponibilizado no último dia 2, o primeiro capítulo é intitulado Genesis. Ele é o prólogo de uma série sobre a cultura noturna e hedonista dos jovens no Brasil.

O texto transmite sensações causadas pela música. Cada momento é orquestrado por uma batida diferente, com direito a cover de Creep, da banda Radiohead.

A produção impacta com imagens fortes e muitas sobreposições de cena. O diretor transmite as dualidades sentidas pela garota em sua viagem pelo mundo caótico das baladas num estudo independente da vida noturna

O filme é uma produção da dupla Banzai com a VOID.

“Aquilo que os Jovens Chamam de Música”: Sonho ou realidade?

O diretor Fernando Nogari explica para a Nowness:

Juntos, reivindicam o direito de se expressar como uma genuína força de mudança e como indivíduos que pensam, se movem e existem. ‘Aquilo Que Os Jovens Chamam de Música’ é um retrato do que essas noites são. Visto a partir da perspectiva de uma garota que está tentando encontrar seu caminho entre as ondas sonoras viajando através do universo em expansão.

O curta começa com uma garota acordando em um trem e conversando com o espectador através de um telefonema. Ela conta um sonho estranho que teve na noite anterior, sobre uma estação espacial, sobre o som das ondas gravitacionais e das frequências que viajam pelo espaço. Sensações que não saem de sua cabeça e que a fazem questionar se tudo foi real ou se era apenas um sonho.

Objetos flutuando, a visão superior de si mesma e ondas gravitacionais ilustram a metáfora do que é a noite, seu público, sua música e suas sensações.

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Entrevista com o diretor Fernando Nogari

Batemos um papo com o diretor do curta sobre as inspirações, a produção e seus projetos futuros e você confere tudo aqui.

A Gambiarra: Como surgiu a ideia para o roteiro de Aquilo que os Jovens Chamam de Música?

Fernando Nogari: Nós filmamos sem roteiro nenhum. Ele surgiu aos poucos na ilha de edição, durante meses de trabalho. Durante o desenvolvimento, fizemos várias reuniões com o pessoal da Void para discutir possíveis caminhos e possibilidades para criar algo que fosse sincero, mas, ao mesmo tempo, original. O roteiro final é a soma dessas conversas, dos depoimentos coletados durante a gravação e da experiência que foi filmar.

AG: Quais as inspirações pra a criação do projeto?

FN: Nós sabíamos que seria um desafio fazer uma série híbrida mesclando documentário e ficção tendo a música como um dos personagens principais. Uma das nossas referências foi o longa Ruined Heart, do diretor filipino Khavn de La Cruz. Mas, no final, acho que a maior inspiração acabou sendo a noite de São Paulo e as pessoas que fazem dela algo tão especial.

AG: Como se deu a escolha dos personagens que são mostrados nessa jornada?

FN: Na verdade, a escolha se deu de maneira bem orgânica: eles surgiram enquanto íamos captando. Muito pouco foi planejado. Nos deparamos com a cena onde a Ivana Wonder canta Creep por acaso e, pra mim, foi um dos momentos mais incríveis que eu já presenciei na noite. Já a personagem principal é a Rafaela Camilo, Dj e produtora de Curitiba.

AG: Fale um pouco sobre a filmagem, a produção e a escolha para a trilha sonora do projeto

FN: Nós, da Banzai, fomos convidados pelo pessoal do Void para desenvolver um projeto sobre música no comecinho de 2016. Depois de muitas conversas, decidimos nos concentrar em São Paulo, por conta da cena noturna ser tão vibrante aqui. Captamos todo o material em duas noites, uma sexta e um sábado, em junho do ano passado. O filme foi apoiado pela Flagcx e a Void, responsável pela produção.
A trilha é uma mistura dos sons que eu estava ouvindo durante o processo de edição com as músicas que tocaram nas festas que filmamos. A música do final, que foi a base para o teaser e que me ajudou a entender como seria o clima do filme, é da banda belga Cookachoo.

AG: Como se organiza a série?

FN: O projeto original é para o desenvolvimento de uma série com cinco episódios. A proposta é visitar diferentes cenários musicais no Brasil e documentá-los de maneira imersiva e sensorial. Lugares como festas de aparelhagem em Belém ou festas de som automotivo em Curitiba. Sempre acompanhando um personagem e documentando o impacto da música na vida dele e daqueles ao seu redor.

AG: Como se deu o contato de vocês com a cena noturna paulista e os cenários abordados no curta?

FN: No último ano, durante a pesquisa, tive a oportunidade de conhecer algumas dessas festas de São Paulo e fiquei impressionado com a energia criativa e contestadora desses lugares. Não são apenas festas, mas plataformas para expressão. Tanto os realizadores quanto o público merecem todo o crédito deste filme. Sem eles, nada disso existiria.

AG: O que a audiência pode esperar para os próximos capítulos?

FN: A série segue em busca de patrocínio para viabilizar os próximos episódios. Caso isso aconteça, vamos retomar as conversas de criação para entender quais serão os próximos capítulos.

AG: Quais seus próximos planos como diretor? Podemos esperar mais dessa parceria entre você e Thales Banzai?

FN: Meu plano é continuar colaborando com pessoas inspiradoras e genuínas. O que me dá mais satisfação nesta profissão é poder entrar em contato com outros universos, aprender e somar com eles.
Thales Banzai e eu formamos uma dupla de diretores chamada Banzai e também somos fundadores da Banzai Studio. Pretendemos seguir colaborando em outros projetos.

AG: Quais as séries que você tem assistido recentemente?

FN: Não sou muito fã de séries de ficção, mas escuto podcasts. Recentemente terminei a primeira temporada de um podcast de jornalismo investigativo chamado Serial e gostei bastante.

AG: E para finalizar, quais são seus diretores favoritos?

FN: Difícil definir quem são meus diretores favoritos, não consigo categorizar — mas se tiver que responder, eu diria que o diretor húngaro Bela Tarr com quem tive o prazer de conviver durante dois anos de mestrado em Sarajevo.
No Brasil, eu diria Karim Aïnouz, Gabriel Mascaro, Kléber Mendonça Daniela Thomas. Seu filme mais recente, Vazante, é uma obra prima.

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