50 tons de rosa: o dia internacional da mulher comemora o que é certo?Editorial

50 tons de rosa: o dia internacional da mulher comemora o que é certo?

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O Dia Internacional da Mulher é uma data curiosa. Não pela sua constituição, que é feita de incansáveis lutas para a conquista de direitos iguais, como votar, ter equiparação salarial em relação aos homens nas mesmas funções, poder estudar, ir e vir sem ter medo de sofrer qualquer espécie de violência, inclusive dentro de casa.

O que é curioso nesse dia é a forma com que se lida com ele. Geralmente, na tentativa de serem gentis, empresas, maridos e filhos parabenizam a mulher por vários atributos, muitas vezes simultâneos, que revelam não a gentileza, mas o que no fundo se espera ou se entende por ser mulher. Não são raras mensagens como: parabéns pela beleza, amizade, amor, cuidado, maternidade, carinho, luta, sensibilidade, tudo ao mesmo tempo agora, e de brinde vai uma rosa.

É uma baita responsabilidade ser isso aí tudo ou corresponder a essas expectativas, que resumem o papel da mulher na sociedade. Eventos voltados pro público feminino são feitos, salas de cinema reservadas, corridas de rua, tudo deixando uma sensação de que é um dia de festa.

Pois não é.

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Dia internacional da mulher: há motivos para comemorar?

O Dia da Mulher é um dia feito pra se lembrar que existem no mundo inteiro desigualdades que duram há muito tempo entre os gêneros. Um dia de se pensar por que legisla-se sobre o corpo feminino e se considera a mulher muitas vezes um cidadão de segunda categoria, que sofre violência de todo tipo. Se é coisa de feminista? É sim. Não na busca de uma supremacia feminina, como muitos e muitas machistas acreditam. É simplesmente a luta para que tenhamos um equilíbrio nas oportunidades de vida, nos direitos e também nos deveres, e que haja respeito pelas individualidades.

Então, de nada vale parabéns, se a empresa dá rosa mas subvaloriza o trabalho feminino. Ou se, em casa, as tarefas domésticas são coisa de mulher. Ou quando se usa a característica feminina como um demérito, ou futilidade, como quando se chama alguém de “mulherzinha”. Ou quando a mulher vira solteirona, fica pra titia, porque não se casa ou não tem filhos (no caso dos homens isso é convicção; no das mulheres, é porque ninguém quis). Ou se acredita que as diferenças entre os gêneros são reflexo da natureza, porque os animais blá blá blá.

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Seriam infinitos os exemplos, não é preciso ir mais além. Sendo assim, se a data não for feita pra pensar e tentar implementar alguma mudança no micro universo que cada um habita, essas “homenagens” têm efeito contrário. Elas fortalecem os estereótipos e não passam de verniz rosa numa desigualdade que não tem nada de bonita. É quase um: parabéns, você está ferrada.

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