Os 10 Melhores Discos Internacionais de 2016Listas e Premiações

Os 10 Melhores Discos Internacionais de 2016

Há menos de uma semana de meter o pé em 2016 e dar um abração em 2017, A Gambiarra traz a lista dos Melhores Discos Internacionais de 2016. Dê aquela bisbilhotada e aproveite o que de repente passou batido, mas que nós elencamos aqui como os grandes acontecimentos deste ano.

Abaixo, confira os 10 Melhores Discos Internacionais de 2016:

radiohead-a-moon-shaped-pool 10. A Moon Shaped Pool – Radiohead 

Todo registro do Radiohead é um trabalho a ser apreciado e visto com atenção, com A Moon Shaped Pool não seria diferente. Altamente influenciado pela separação de Thom Yorke e a artista plástica Rachel Owen, com quem o músico britânico manteve um relacionamento durante 23 anos, A Moon Shaped Pool utiliza da temática do rompimento como um caminho não óbvio para a construção de grande parte das canções.

O registro mostra o esforço de uma banda que mesmo em uma explícita zona de conforto, lentamente seduz e convence o ouvinte. Letras sufocadas por temas existencialistas e declarações de amor angustiadas preenchem o álbum. Não deixe de conferir Burn The Witch, Daydreaming True Love Waits.

9. Moth – Chairlift chairlift-moth

Infelizmente, tudo leva a crer que esse seja o último álbum da banda Chairlift. Há poucos meses o duo anunciou o fim do projeto mesmo tendo lançado um disco tão bom quanto Moth. O Synth inventivo emplacado pelo duo nunca esteve tão Pop quanto nesse registro.

Com os admiráveis agudos de Caroline Polachek, o disco soa como uma pista de dança melancólica, em que você dança de braços abertos mesmo soltando algumas lágrimas. Movido pela sutileza, Moth, assim como o registro que o antecede, encanta pela lenta movimentação das vozes, arranjos e sentimentos que ocupam o interior de cada faixa.

Romeo, Ch-Ching e Crying In Public farão seu coração quase parar.

jessy-lanza-oh-no 8. Oh No – Jessy Lanza

A cantora Jessy Lanza deu um grande passo na estreia do álbum Oh No. Se antes, em seu registro Pull My Hair Back (2013) a sua voz servia praticamente como parte do arranjo instrumental, agora a cantora toma a frente do trabalho e se porta como vocalista.

Desilusões amorosas e conflitos recentes serviram de base para o trabalho da canadense, que distorce seu timbre original e constrói em crescente percussiva faixas como VV Violence e It Means I Love You.

Algumas referências da Disco Music são apresentadas também de maneira minimalista, visto em Never Enough. Mesmo com canções que retratam a dor, Oh No está longe de parecer uma obra arrastada, o peso dos versos é aliviado com batidos e gritinhos que mascaram os sentimentos. Genius.

7. I Remember – AlunaGeorge alunageorge-i-remember

Se a estreia do duo AlunaGeorge veio através de Body Music com alguns singles mais tímidos como Yours Drums, Your Love e aos poucos crescendo, agora em I Remember o projeto parece ter dado alguns passos novos e que desafiam um pouco seu passado.

Com Aluna Francis definitivamente à frente do trabalho e George Reid ainda junto, de maneira mais sutil, o projeto abriu caminho para uma música eletrônica mais consumível e popular, dando espaço para produtores e participações especiais que concedem esse novo perfume dançante à banda.

Ouvir Mean What I Mean, Not Above Love, I’m In Control e Hold Your Head High é lição de casa obrigatória.

solange-a-seat-at-the-table 6. A Seat at The Table – Solange

Nem só de Beyoncé é que vive a família Knowles. A irmã mais nova, Solange, também tem seu valor, e não é nada pequeno. O trabalho A Seat at The Table é o primeiro álbum depois de uma tentativa de emplacar no Pop radiofônico no passado. A nova faceta de Solange se mostrou ao se unir a Dév Hynes e Ariel Rechtshaid no bom EP True. O disco traz  como base um R&B-Pop experimental que impressiona.

Aqui ela mostra que a comparação com a irmã é desnecessária e cada uma sabe muito bem o que faz em seu nicho. O disco é para ser ouvido sem pressa e traz além de boas canções uma porção de interlúdios, fragmentos de vozes, personagens e depoimentos que surgem no interior da obra nasce como um profundo diálogo de Knowles com a comunidade negra dos Estados Unidos, abordando racismo e machismo.

Cranes In The Sky, Don’t Touch My Hair Weary são músicas que não devem ser puladas.

5. Chaleur Humaine – Christine and The Queens christine-and-the-queens-chaleur-humaine

Acredite se quiser, esse disco já poderia ter estreado em outras listas antes. Não, não estamos roubando – acontece que Chaleur Humaine foi relançado e reestruturado por Christine and The Queens somente agora e expandido além sua terra de origem, então tá super valendo.

Alçando voos maiores agora pela América e Reino Unido é que o Pop anti-conservador encabeçado pela bela de  visual andrógino e moderno, Héloïse Letissier. Com base eletrônica em looping, a cantora conduz suas criações coma voz e alterações de pitch aqui e ali, sempre num clima dançante – bom para quem gosta de Little Boots, La Roux e a própria Shura aí abaixo. Ouça Tilted, iT e Paradis Perdus (essa com lembranças de Kanye West) e não se arrependa.

A cantora ainda brinca seriamente com gêneros e arrasa em versos como “She’s a man now / And there’s nothing you can do to make me change my mind / I’m a man now”.

shura-nothings-real 4. Nothing’s Real – Shura

O Indie Pop inglês é tão charmoso que a gente não resiste tão facilmente. A sutil estética somada aos doces acordes faz com que Shura seja uma daquelas pessoas que você tem vontade de estar próximo. O disco Nothing’s Real é o primeiro álbum da cantora que chamou atenção por reproduzir esse Pop com um pé nos anos 90 e que poderia sair direto de um filme de verão adolescente da Sessão da Tarde.

Sempre recheado de sintetizadores e apresentando um Electro Pop suave mesmo quando animado é que Shura nos conquista, principalmente com o vocal que as vezes parece sussurrar no nosso ouvido. Divirta-se com What’s It Gonna Be? e Nothing’s Real e dance coladinho com 2Shy e Touch. Dica pra quem curte Haim e La Roux.

3. 99,9% – Kaytranada kaytranada-99-9

Isso que é boa descoberta na música eletrônica. Embora esse não seja o primeiro trabalho de Kaytranada, foi em 99,9% que Louis Kevin Celestin se encontrou de vez na música. O trabalho foi nomeado da seguinte maneira graças à “descoberta sexual” do artista, que antes sofria muito escondendo seus reais anseios.

Kaytranada sabe bem como animar uma pista com provavelmente os beats e synths mais legais que você ouviu no ano de 2016. O produtor ainda traz referências do Hip Hop, percussividades étnicas e um belo suíngue que não beira ao óbvio, principalmente por misturar tudo isso em uma boa cama de modernidades eletrônicas. Não deixe de ouvir Together, You’re The One, Leave Me Alone e Glowed Up.

frank-ocean-blonde 2. Blonde – Frank Ocean

Bastou o lançamento de apenas um álbum para Frank Ocean se tornar uma figura relevante e um novo nome de peso no R&B e na música num geral. Depois do mítico Channel Orange e de muitos pedidos de fãs, Frank reapareceu com o milagre do segundo disco, e ao contrário do que muitos temiam no erro do segundo disco, ele acertou.

Blonde experimenta-se ainda mais em samples, sintetizadores e rema com mais força pra melancolia e pras letras de amor. O longo registro de 17 faixas passa muito rápido e traz como no outro, uma porção de interludes. Ainda lembrando de Channel, o trabalho ressoa quase como um lado mais underground e reflexivo de Ocean, dentro dessa mesma esfera.

Nikes, Ivy, Pink + White, Solo e Nights te causam aquele bom arrepio desde o primeiro ruído.

1. 22, A Million – Bon Iver bon-iver-22-a-million

É muito difícil que algo que Bon Iver lance seja ruim, ao menos até agora a tradição de ótimos trabalhos não veio a ser quebrada. Depois de permanecer longos anos em um Folk invernal em seus dois primeiros álbuns, a banda saiu de fato da zona de conforto e de uma maneira que realmente aparentasse como um passo de evolução da carreira. 22, A Million é uma obra que merece aplausos do começo ao fim.

Toda a inventividade de Justin Vernon e seu grupo é botada em jogo num experimentalismo eletrônico que poderia ter soado forçado, mas que é tão harmonicamente bem amarrado e envolvido pelo cerne da banda que embora tudo seja novo, no coração nada muda. 22 (OVER S∞∞N), 666 ʇ, 10 d E A T h b R E a s T ⚄ ⚄  e 715 – CR∑∑KS são hinos épicos, ouça bem.

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